Como melhorar a memória e concentração com a alimentação

2 anos atrás  Por  Equipe Natue     Sem Comentários

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*Nádia Mussi de Mira

O organismo humano sofre um processo lento de degeneração com o passar dos anos, o que leva a uma perda gradual das funções cognitivas, alterações visuais, auditivas, distúrbios de humor e perda de memória, sendo a última um componente fundamental para as tarefas de compreensão verbal e escrita, no cálculo e raciocínio.

A memória é um processo complexo que utiliza os cinco sentidos para captar informações e envolve diferentes habilidades e estágios. Falhas em qualquer uma das etapas podem resultar na perda da informação. Geralmente os problemas de memória começam a partir dos 60 anos, mas os jovens também podem apresentar lapsos relacionados à falta de sono, distúrbios de déficit de atenção, entre outros.

A memória é uma das funções cognitivas mais complexas que a natureza produziu, e as evidências científicas sugerem que o aprendizado de novas informações e o seu armazenamento causam alterações estruturais no sistema nervoso.

Desde o nascimento, o ser humano perde e repõe neurônios – células nervosas responsáveis pela produção e condução dos estímulos. Com o envelhecimento, a capacidade de reposição dessas células diminui.

Com o aumento da expectativa de vida também há aumento de doenças degenerativas cerebrais, sendo a doença de Alzheimer a mais associada à idade. A mesma se apresenta como demência ou perda de funções do pensamento e a evolução é caracterizada no início pela deficiência da memória recente. As lembranças remotas são preservadas até certo estágio da doença e após começam a surgir dificuldades de concentração e fluência verbal, progredindo para perda de funções cognitivas como a capacidade de fazer cálculos, as habilidades vísuoespaciais e a capacidade de usar objetos comuns e ferramentas.


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Alimentos para memória

Estudos apontam que a qualidade de vida, incluindo a alimentação e seus aspectos nutricionais, influenciam no processo de envelhecimento e na demência. Alguns alimentos podem retardar o aparecimento desse tipo de disfunção e alteração degenerativa, pois atuam na proteção das mielinas cerebrais, bem como na proteção à memória, entre outros.

Os ácidos graxos da série ômega 3, essenciais ao nosso organismo, conhecidos por PUFAs (ácidos graxos insaturados de cadeia longa) em particular, o DHA (ácido docosahexaenoico) e EPA (ácido eicosapentaenoico), receberam mais pareceres positivos do que qualquer outro ingrediente, com alegações de saúde aprovadas para o cérebro.

O cérebro é constituído por cerca de 20% de substâncias gordurosas com funções muito significativas e, portanto, a saúde do cérebro depende da quantidade de gordura ingerida e principalmente do tipo de gordura consumida.

O consumo de ômega 3 apresenta mais benefícios para quem o consome, pois promove a comunicação entre as células nervosas, além de ajudar na construção das bainhas de mielina ao redor das fibras nervosas, o que influencia as propriedades físicas das membranas cerebrais, as características dos seus receptores, as interações celulares e a atividade enzimática, o que permite melhor neuro transmissão química e, consequentemente, auxilia no monitoramento do humor e da memória.

O ômega 3 é encontrado principalmente em peixes gordos, como salmão, atum, anchova e sardinha. O óleo de peixe oferece uma fonte confiável e natural de DHA, com altos níveis de potência. Como opção para os vegetarianos, as microalgas têm surgido como uma fonte eficiente e ecológica de DHA.

As antocianinas, presentes na maioria das plantas, também apresentam efeitos positivos na atividade cerebral. Por meio de estudos, podemos comprovar que a potente capacidade antioxidante e neuroprotetora dessa substância previne déficits de memória induzidos com modelos de Parkinson e Alzheimer em ratos. As antocianinas estão presentes em frutas vermelhas, uvas, morangos, romãs, blueberrys, amora e repolho roxo, entre tantos outros.

Podemos citar também a taurina, um dos aminoácidos livres mais abundantes em diferentes tecidos, sendo essencial para o funcionamento do sistema nervoso central, que atua na osmorregulação, estabilização da membrana, parâmetros de estresse oxidativo e na neuroproteção. A taurina pode ser encontrada em quantidades apreciáveis em carnes, peixes e frutos do mar, na parte escura da carne de aves, mas também em alimentos como feijões, beterraba e nozes em menor proporção.

A alimentação tem grande influência na preservação, manutenção e na atividade desenvolvida pelo cérebro. É do mesmo modo que alimentos exercem essa ação protetora, alguns tipos de dietas, como as ricas em gorduras saturadas, hidrogenadas e trans, aceleram a degradação das mielinas cerebrais e contribuem para o processo de degradação da memória. Portanto, a escolha dos alimentos tem grande importância na preservação da funcionalidade do nosso cérebro, bem como nossas memórias.

*Nádia Mussi de Mira é docente do curso de Nutrição do Complexo Educacional FMU. Doutora em ciência dos alimentos na área de Bromatologia, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Tem pós-doutorado em ciência dos alimentos – compostos bioativos presentes em genótipos de arroz colorido.


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Melhor qualidade de vida e prevenção de doenças: conheça os alimentos que estimulam a concentração e memória.
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