Dia do lixo: fazer ou não?

2 anos atrás  Por  Equipe Natue     Sem Comentários

Dia_lixo_capa

Artigo de especialista - Tatiana Eto*

Entre os praticantes de atividade física é muito comum ouvir o termo “dia do lixo”, que faz referência ao dia em que tudo (ou quase tudo) é permitido na alimentação. Este dia é esperado ansiosamente, já que itens como chocolate, cerveja, caipirinha, pizza, refrigerante, sanduíches e batata-frita estão liberados, um deles ou todos ao mesmo tempo. Isso mesmo, muitos aguardam essa data para comer tudo isso.

Mas, será que esse comportamento é realmente saudável?

O “dia do lixo” normalmente acontece no fim de semana, sábado ou domingo, então, o indivíduo passa a semana inteira respondendo a si mesmo “Isso não posso hoje ou aquilo apenas no dia do lixo”, ou seja, fazendo uma restrição severa e cultivando ansiedade para que no dia tão esperado coma tudo o que queria este tempo todo.

Não seria mais saudável, sob o ponto de vista comportamental, comer uma barra de 30g de chocolate amargo ou meio amargo ao dia do que uma barra de 150g em um único dia?

Vamos imaginar um praticante de atividade física que necessite consumir 2.500 kcal ao dia, suficientes para suprir o gasto calórico com atividade física e funções fisiológicas. Esse indivíduo elegeu como dia do lixo o sábado, porém, de domingo a sexta é quase um militar com a alimentação. Pois bem, chegou o sábado e ele acrescentou ao seu consumo habitual:

1 cheeseburger duplo
1 porção de batata-frita média
500 ml de refrigerante
8 latas de cerveja
1 caixinha de chocolate tipo waffer

O que corresponde a 2758 Kcal, ou seja, tudo que “malhou” na semana, jogou literalmente na LATA DO LIXO.

Cada indivíduo tem uma necessidade energética e por isso deve consumir alimentos, de forma saudável, é claro, para suprir essa necessidade. Porém, os excessos vão culminar em aumento do tecido gorduroso. Engana-se quem acredita que isso ocorra apenas com excesso de carboidrato, todo e qualquer excesso resultará em maior acúmulo de gordura.

Seria muito mais vantajoso não ser tão rígido a ponto de incorrer em uma compulsão alimentar, geradora de um valor calórico alto e que com certeza culminará no acúmulo de gordura corporal e levará ao tão temível “weight cycling” (efeito sanfona) ou a habitual frase de consultório “treino, treino, treino e não vejo resultado”.

A alimentação saudável não é e não pode ser restritiva. A restrição alimentar é uma não ingestão de alimentos com o objetivo de controlar o peso ou promover a perda de peso, porém, já é comprovado cientificamente que a prática de fazer dietas e a restrição alimentar é um preditor de ganho de peso.

Atletas, quando submetidos ao efeito sanfona, entram em um grupo de risco para se tornarem obesos porque restringem a alimentação e não mudam o comportamento alimentar.

O comportamento restritivo vira um ciclo vicioso porque não existe potencial para a manutenção de peso, e sim uma preocupação em sempre perder o peso recuperado.

Não se trata de integrar alimentos não saudáveis à rotina diária. O propósito é aprender a comer o suficiente e nunca exagerar. O problema não está em consumir um brigadeiro na festa de aniversário ou 1 fatia de pudim de leite condensado de sobremesa, e sim em consumir 10 brigadeiros ou um pudim inteiro.

Se você diz frases do tipo: “Ah, mas eu não consigo me controlar ao ver uma travessa de brigadeiros, então é melhor eu nem comer…”, respondo a você: então, o problema está na situação de autocontrole e não na travessa de brigadeiro e muito menos em quem fez ou levou para a festa. É preciso refletir e saber onde é possível melhorar o seu comportamento alimentar.

Mais importante do que emagrecer é manter o peso magro. Quanto mais efeito sanfona, mais difícil as próximas tentativas de emagrecimento. Então não restrinja, afinal, quem manda no alimento é você!

Referências
Lowe, M. R.; Doshi, S. D.; Katterman, S. N.; Feig, E. H. Dieting and restrained eating as prospective predictors of weight gain. Frontiers in Physiology, 2013.
Dulloo, A. G.; Jacquet, J.; Montani, J.P. How dieting makes some fatter: from a perpective of human body composition autorregulation. Proceedings of the Nutrition Society, 2012.

*Tatiana Eto é nutricionista, mestre em Ciências pela Unifesp e pós-graduada em Medicina do Esporte e da Atividade Física e em Obesidade e Emagrecimento.

Summary
Article Name
Dia do lixo: fazer ou não?
Author
Description
O “dia do lixo”, em que tudo é permitido na alimentação, é realmente necessário? Saiba aqui!
NATUELIFE
x