Hanseníase tem cura

4 anos atrás  Por  Equipe Natue     Sem Comentários

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A hanseníase é uma doença infectocontagiosa cercada por preconceito e falta de informação. Apesar de ser conhecida desde os tempos bíblicos e o tratamento ser disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sua prevalência ainda é alarmante.

Atualmente, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de prevalência da hanseníase e ainda registra cerca de 30 mil novos casos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. O estigma social é um dos maiores agravantes para o alto índice de casos. “O medo da discriminação afasta pacientes das unidades de saúde e dificulta o diagnóstico e o tratamento da hanseníase. Por isso, a informação é o melhor remédio”, conta Artur Custodio, coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

A hanseníase é causada pelo bacilo de Hansen (Mycobacterium leprae), que possui capacidade de infectar grande número de indivíduos, no entanto, poucos adoecem. Isso por que ela é classificada em dois tipos: paucibacilar (PB), quando o paciente apresenta de uma a cinco manchas pelo corpo, ou multibacilar (MB), quando são encontradas mais de cinco manchas. No caso paucibacilar, os pacientes não transmitem a doença, mas os multibacilares sem tratamento podem transmitir o bacilo através das secreções nasais ou saliva. Ou seja, pacientes com o tipo MB em tratamento regular e pessoas que já receberam alta não transmitem a enfermidade, assim como quem possui o tipo PB.

Sintomas da hanseníase

A doença afeta homens, mulheres e crianças de todas as idades. O período de incubação, da infecção à manifestação, tem duração média de três anos e a evolução do quadro clínico depende do sistema imunológico do paciente. Primeiro, ela acomete a pele e os nervos periféricos, mas também pode atingir os olhos e os tecidos do interior do nariz. Os sintomas são manchas brancas, avermelhadas ou da cor cobre, planas ou elevadas, sem sensibilidade ao frio, calor, dor e tato. Além de sensação de formigamento, dormência ou fisgadas, aparecimento de caroços e placas pelo corpo, dor nos nervos dos braços, mãos, pernas e pés e diminuição da força muscular. Se não for tratada, a hanseníase pode provocar sérias incapacidades físicas.

Transmissão e diagnóstico

A transmissão acontece pelas vias respiratórias, através de gotículas que saem do nariz e da saliva do paciente, e pelo convívio íntimo com pessoas infectadas. No entanto, não há transmissão pelo contato com a pele. O diagnóstico é feito a partir da observação da pele, dos nervos periféricos e da história epidemiológica do paciente, mas também pode ser necessário realizar biópsia da área ou exame laboratorial para a identificação do tipo da hanseníase: se é paucibacilar, com pouco ou nenhum bacilo, ou multibacilar, com muitos bacilos.

Tratamento

Apesar do forte estigma social, a hanseníase tem cura e a primeira dose do medicamento já garante que a doença não será transmitida. Fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento inclui o uso de antibióticos para combater o bacilo e pode ser realizado em Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Dura seis meses quando a doença está no início, podendo chegar à 12 meses em casos mais graves”, explica Maria do Rosário Vidigal, dermatologista hansenologista do Complexo Hospitalar Padre Bento, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, que atende principalmente antigos moradores da colônia e hansenianos sequelados. Para obter eficácia, é fundamental não interromper o tratamento e, assim que ele é concluído, o paciente já é considerado curado.

Além do preconceito

Muitas pessoas ainda acreditam que é necessário isolar os indivíduos que desenvolvem hanseníase, mas há anos essa prática não é realizada.

No Brasil, até a década de 1980, a lei federal nº 610 de 13 de janeiro de 1949 recomendava o isolamento compulsório dos pacientes com hanseníase em colônias, chamadas à época de leprosários. Essa lei também ordenava a entrega dos bebês de pais com hanseníase à adoção, o que levou à separação de milhares de famílias, situação que perdurou até 1986, quando os antigos hospitais colônias foram transformados em hospitais gerais. Para reparar os danos causados a essas pessoas, o Morhan luta pela garantia e respeito aos direitos humanos dos pacientes atingidos por essa doença e seus familiares. “Os muros foram derrubados, os portões abertos, mas a luta pelo reencontro dessas famílias ainda continua”, revela Custódio, coordenador nacional da organização.

Para esclarecer a população brasileira, o Morhan disponibiliza uma linha telefônica gratuita, o Telehansen: 0800 026 2001, e um serviço online em seu site (www.morhan.org.br), que conta com voluntários para tirar dúvidas em tempo real por meio de um chat.

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A hanseníase é uma doença infectocontagiosa cercada por preconceito e falta de informação. Apesar de ser conhecida desde os tempos bíblicos e o tratamento ser disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sua prevalência ainda é alarmante. Clique e veja que a hanseníase tem cura!

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